quinta-feira, 27 de agosto de 2015

"Parem de achar que 'reacionário' é ofensa"

Imagem Implicante.org
"Gregório Duvivier escreveu nesta semana um artigo na Folha chamado 'Moda Reaça', explicando como deve ser o vestuário dos 'reacionários'. Segundo Duvivier, o vestuário reaça é farda verde-oliva do vovô com manchas de sangue, e é preciso ser branco, heterossexual, católico e rico para ser 'reaça'.
Por sorte, a Folha explica que Gregório Duvivier merece nos brindar com suas imprescindíveis opiniões por criar o canal de 'humor' Porta dos Fundos.
(...)
A moda, na verdade, é chamar tudo o que não atenda à sua exigência de pensamento único de 'reaça'. Nada é mais modinha do que isso – sobretudo, na falta de encontrar um 'ismo' pra chamar de seu, simplesmente se consideram 'progressistas', já que o Grande Ismo, a ideologia do comunismo – que chamava tudo o que não fosse comunista, justamente, de 'ideologia' – saiu de moda, mesmo entre aqueles que não sabem o horror supremo que é Stalin, Holodomor, kolkhoz ou o Gulag. Basta agora ser 'de esquerda'.
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Agora as palavras de um reacionário, o nobre Erik von Kuehnelt-Leddihn, homem de conhecimento enciclopédico capaz de ler em mais de 20 línguas e, como bom reacionário austríaco, um fugitivo do nazismo, em seu O Credo do Reacionário:
'Como um reacionário honesto, eu naturalmente rejeito o Nazismo, Comunismo, Fascismo e todas as ideologias relacionadas que são, de fato, um reductio ad absurdumda chamada democracia e do 'povo no poder'. Eu rejeito os pressupostos absurdos do governo da maioria, do parlamento hocus-pocus, o falso liberalismo materialista da Escola de Manchester e o falso conservadorismo dos grandes banqueiros e industrialistas. Eu abomino o centralismo e a uniformidade da vida em rebanho, o espírito estúpido racista, o capitalismo privado, bem como o capitalismo de estado (socialismo) que contribuíram para a ruína gradual da nossa civilização nos últimos dois séculos. O verdadeiro reacionário desses dias é um rebelde contra os pressupostos prevalecentes e um 'radical' que vai até as raízes'.
(...)
Como se vê, ser reacionário exige experiência, conhecimento de causalidade, a 'prudência' na política que nos pedem de Aristóteles a Russell Kirk – aquele cara que tentou elencar Dez livros conservadores pra serem lidos, já que ser conservador exige uma vida de leituras, e não apenas macaquear um Das Kapital ou algum livrinho com pretensão de reunir todo o conhecimento da humanidade, do Céu e da Terra em alguns princípios gerais a serem repetidos bovinamente pelos rebanhistas de plantão (total destes livros lidos por formadores de opinião, professores universitários, jornalistas que falam de política 25 horas por dia e boçais da palpitaria política nas colunas sociais do Brasil: zero).
Ser 'reaça' é apenas saber das coisas, e não querer moldar os outros conforme a sua imagem e semelhança – o que fazem de Lenin com suas fazendas coletivas a Kim Jong-un exigindo o mesmo corte de cabelo para toda a Coréia do Norte (ou Pol-Pot, mandando ser morto por crocodilos quem fosse alfabetizado ou usasse óculos). Ser reaça é ser contra aqueles regimes onde você pode sair fuzilando quem discorda de você.
Mas eu não me incomodaria se Gregório Duvivier me xingasse de alguma coisa séria. Me chamar de idiota, bobo, cara de melão – ou, como o modismo do pensamento único agora exige, de coxinha, de fascista, de extremista, de olavete. Isso, partindo de um cara cuja obra intelectual mais profunda é o Zorra Total do Youtube só pode significar que estou incomodando as pessoas certas.
Quando Marilena Chaui chama a classe média de 'fascista', de 'reacionária', de 'terrorista' (sic), ela só recai naquilo que Ben Shapiro afirma sobre os valentões, os bullies da esquerda americana: não faz sentido chamar um membro da KKK (esquerdista, ao contrário do que dizem) de 'racista', nem um figurão da Waffen SS de 'nazista' tentando ofendê-los. Isso é o que eles são.
A esquerda chama todo mundo de quem discorda de 'racista', de 'homofóbico', de 'fascista' justamente porque sabe que os xingados odeiam racismo, homofobia, fascismo – e se calarão quando tiverem sua opinião associada a estas coisas das quais têm nojo mortal (vide Kuehnelt-Leddihn acima). Se fossem de fato racistas, homofóbicos ou fascistas as pessoas simplesmente diriam 'Sim' e continuariam na mesma. Não é o que a esquerda planeja.
O problema mesmo é Gregório Duvivier querer me ofender me chamando de 'reacionário', devido à sua própria ignorância em relação ao termo. Aí não dá. Porque eu tomo como o elogio que é. O que há de tão ofensivo em saber como as coisas reagem? Em ser inimigo mortal de nazistas, comunistas e totalitarismos islâmicos homofóbicos e misóginos? Em ser contrário à concentração de poder, ao reformismo rebanhista, à planificação econômica, à mesmice cultural?
Eu tenho uma reputação a zelar. Como poderei sair na rua, se as pessoas resolverem apontar pra mim e dizer: 'Olha lá, é o cara que o Gregório Duvivier elogiou!' ... Precisarei fugir do país, de uma plástica como a do Dirceu, trocar de nome, sobrenome, tentar apagar minhas memórias com elevadas sessões de psiquiatria pesada. Os danos morais não podem ser cobertos por nenhuma indenização.
Pelamor, revoluças que não vêem nada demais em alguém admirar um facínora como Che Guevara (um idealista! um crítico social! um mundomelhorista!) e querem associar tudo o que é ruim a quem discorda de vocês de 'saudosistas da ditadura', numa maçaroca homogênea e platiforme como vocês próprios pensam: xinguem de outras coisas, mas não tratem 'reacionário' como ofensa.
Ser reaça é mó legal – basta parar de querer ter auto-estima apenas através do grupinho, jurando que com isso é 'crítico' e auto-pensante. É saber que o mundo não tem soluções fáceis e prontas, e que há muito mais livros a serem estudados demoradamente antes de tirar conclusões apressadas do que jamais sonharam nossos progressistas.
Basta apenas se acostumar a ser xingado de fascista, de saudosista da ditadura, de branco, de rico, de homofóbico, de católico, de racista, de nazista e de usar soco inglês por gente como Gergório Duvivier – e, claro, ser xingado de 'fascista' por gente que quer tudo dentro do Estado, tudo para o Estado, bem ao contrário de você.
Mas, acredite: nada dói mais do que ser “xingado' de “reacionário' por pessoas que querem nos ofender, mas nos elogiam sem perceber".

Por Flávio Morgenstern
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* Para ler o ensaio completo, clique http://www.implicante.org/artigos/parem-de-achar-que-reacionario-e-ofensa/

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